domingo, 11 de abril de 2010

Aprendizagem motora

Aprendizagem é um processo pelo qual a maioria dos animais adquire conhecimento sobre o mundo, e memória é a retenção ou armazenamento desse conhecimento (KANDEL, 2003).
A memória declarativa constitui um sistema no qual a informação é processada mesmo após uma única experiência e então estocada de forma que se mantenha acessível, explicitamente, para ser usada posteriormente, sendo relembrada de forma consciente de acordo com a demanda. Por apresentar essas características é passível de relato verbal como sugere o termo “declarativo”. Já o módulo implícito, representa a aquisição de habilidades motoras, perceptuais e rotinas cognitivas por meio da exposição repetitiva a uma atividade específica, com regras invariáveis. Essa classe de memória adquirida é expressa apenas sob a forma de desempenho em virtude de um sistema de memória que não permite o acesso explícito, ou seja, não permite o relato das informações acumuladas com a tarefa. (KANDEL 2003; PARSOSNS ET AL, 2005).
O aprendizado motor faz parte da memória implícita, definido como um conjunto de processos não conscientes, associados com a prática e repetição de movimentos, que levam às mudanças permanentes nas respostas motoras. Isto é possível devido às modificações das redes neurais responsáveis pelas respostas motoras, possibilitando um desempenho mais eficaz da tarefa treinada (MOLINARI ET AL 1997; WILLINGHAM, 1998). Assim com o decorrer do processo o desempenho evolui de impreciso para acurado, de lento para veloz e de controlado pela atenção para automático.
A aprendizagem motora é a base do processo de reabilitação, uma vez que possibilita a mudança de comportamentos motores já adquiridos, como também a aquisição de novos comportamentos motores. Portanto, um melhor conhecimento das estratégias que favorecem esse processo pode acrescentar informações importantes para o direcionamento da reabilitação motora de pacientes.

Existe alguns estagios de aprendizagem motora que sao
cognitivo, associativo, e autonomo.

habilidade psicomotora da técnica de ressuscitação cardiopulmonar as 9 capacidades perceptivo-motoras identificadas foram: 1. Coordenação multimembro - capacidade de coordenar o movimento dos membros superiores e inferiores simultaneamente (Exemplo-"estimular a vítima balançando seu ombro"); 2. Precisão de controle - a capacidade de executar ajustes musculares altamente controlados e precisos em que grupos maiores de músculos estão envolvidos (Exemplo- "abrir as vias aéreas por meio da manobra de deslocamento do queixo nos casos de trauma"); 3. Orientação da resposta - capacidade de selecionar rapidamente quando uma resposta deve ser dada, como na situação de tempo de reação na qual uma escolha deve ser feita (Exemplo- "observar o tórax, com a face acima da boca da vítima, olhando em direção aos pés para ver, ouvir e sentir a respiração"); 4. Tempo de reação - capacidade de responder rapidamente a um estímulo quando ele aparece (Exemplo- "na ausência do pulso dizer: não tem pulso, ligue para 193, não precisa de ficha"); 5. Velocidade do movimento do braço - capacidade de fazer um movimento geral e rápido do braço (Exemplo- "fazer quinze compressões, alternando com duas ventilações por ciclo"); 6. Controle de graduação - capacidade de mudar a velocidade e a direção de respostas no tempo adequado (Exemplo- "fazer massagem cardíaca externa, comprimindo o tórax, através de movimentos equivalentes a 3,5-5,0 cm de amplitude, por 15 vezes, no adulto"); 7. Destreza manual - capacidade de fazer movimentos hábeis de braço e mão, bem direcionados (Exemplo- "localizar o ponto de massagem no tórax, percorrer com uma das mãos o rebordo costal, marcar com o dedo anular o apêndice xifóide e colocar os dedos médio e indicador justapostos ao anular"); 8. Estabilidade braço-mão -capacidade de fazer movimentos precisos de posicionamento de braço e mão, nos quais a força e a velocidade têm um envolvimento mínimo (Exemplo-"permitir o relaxamento do tórax, após cada compressão"); 9. Velocidade punho-dedos - capacidade de mover o punho e os dedos com rapidez (Exempla-"após cinco ciclos, avaliar o retorno dos batimentos cardíacos").

Fatores Que Interferem Na Aprendizagem
FATOR AMBIENTAL
Torna-se cada vez maior a preocupação dos pais em acertar na educação dos filhos. Muitas vezes aqueles se perguntam onde foi que erraram para que o filho tivesse a dificuldade que hoje tem.
Piletti (1984) considera, assim como diversos outros autores, que as primeiras experiências educacionais da criança, geralmente são proporcionadas pela família.
Nossa sociedade, caracterizada por situações de injustiça e desigualdade, criam famílias que lutam com mil e uma dificuldades para sobreviver. Esses problemas atingem as crianças, que enfrentam inúmeras dificuldades para aprender.
Alguns dos principais fatores etiológicos -sociais que interferem na aprendizagem são :
• Carências afetivas;
• Deficientes condições habitacionais, sanitárias, de higiene e de nutrição;
• Pobreza da estimulação precoce;
• Privações lúdicas, psicomotoras, simbólicas e cultural;
• Ambientes repressivos;
• Nível elevado de ansiedade;
• Relações interfamiliares;
• Hospitalismo;
• Métodos de ensino impróprios e inadequados.
Para Smith & Strick (p.31, 2001) um ambiente estimulante e encorajador em casa produz estudantes adaptáveis e muito dispostos a aprender, mesmo entre crianças cuja saúde ou inteligência foi comprometida de alguma maneira.
Inúmeras pesquisas apontam que o maior índice que interfere no processo de aprendizagem, ocorre com crianças pobres. Em tais pesquisas, as explicações apontadas para o problema deste fracasso escolar dizem respeito à condição econômica da família.
Ainda pode-se evidenciar entre alguns professores a associação da imagem do mau aluno na criança carente. Não é lícito estabelecer uma regra geral e inflexível atribuindo a todos os casos de problemas de aprendizagem um mesmo diagnóstico ou um enfoque generalizador.
Segundo Paín (p.33, 1985) o fator ambiental é, especialmente determinante no diagnóstico do problema de aprendizagem, na medida em que nos permite compreender sua coincidência com a ideologia e os valores vigentes no grupo.
Por isso, cada caso deve ser avaliado particularmente, incluindo na avaliação o entorno familiar e escolar. Se os problemas de aprendizagem, estão presentes no ambiente escolar e ausentes nos outros lugares, o problema deve estar no ambiente de aprendizado. Às vezes, a própria escola, com todas as suas fontes de tensão e ansiedade, pode estar agravando ou causando as dificuldades na aprendizagem.
Quanto à estrutura familiar, nem todos os alunos pertencem a famílias, com recursos suficientes para uma vida digna. Normalmente, verificam-se situações diversas: os pais estão separados e o aluno vive com um deles; o aluno é órfão; o aluno vive num lar desunido; o aluno vive com algum parente; etc. Muitas vezes, essas situações trazem obstáculos à aprendizagem, não oferecem à criança um mínimo de recursos materiais, de carinho, compreensão, amor.
Alguns tipos de educação familiar muito comum em nossa sociedade são bastante inadequados e trazem conseqüências negativasparaa aprendizagem. Os pais podem influenciar a aprendizagem de seus filhos através de atitudes e valores que passam a eles.
Classificam os pais nas seguintes categorias:
—pais autoritários- manifestam altos níveis de controle, de exigências de amadurecimento, porém baixos níveis de comunicação e afeto explícito. Os filhos tendem a ser obedientes, ordeiros e pouco agressivos, porém tímidos e pouco persistentes no momento de perseguir metas; baixa auto-estima e dependência; filhos pouco alegres, mais coléricos, apreensivos, infelizes, facilmente irritáveis e vulneráveis às tensões, devido à falta de comunicação desses pais.
—pais permissivos- pouco controle e exigências de amadurecimento, mas muita comunicação e afeto; costumam consultar os filhos por ocasião de tomada de decisões que envolvem a família, porém não exigem dos filhos, responsabilidade e ordem; estes, tendem a ter problemas no controle de impulsos, dificuldade no momento de assumir responsabilidade; são imaturos, têm baixa auto-estima, porém são mais alegres e vivos que os de pais autoritários.
—pais democráticos - níveis altos tanto de comunicação e afeto, como de controle e exigência de amadurecimento; são pais afetuosos, reforçam com freqüência o comportamento da criança e tentam evitar o castigo; correspondem às solicitações de atenção da criança; esta tende a ter níveis altos de autocontrole e auto-estima, maior capacidade para enfrentar situações novas e persistência nas tarefas que iniciam; geralmente são interativos, independentes e carinhosos; costumam ser crianças com valores morais interiorizados (julgam os atos, não em função das conseqüências que advêm deles, mas sim, pelos propósitos que os inspiram).
Mussen (1970) interpreta essas conclusões em termos de aprendizagem e generalização social: os lares tolerantes e democráticos encorajam e recompensam a curiosidade, a exploração e a experimentação, as tentativas para lidar com novos problemas e a expressão de idéias e sentimentos. Uma vez aprendidas e fortalecidas em família, essas atividades se generalizam na escola.
A educação familiar adequada é feitacom amor, paciência e coerência, pois desenvolve nos filhos autoconfiança e espontaneidade, que favorecem a disposição para aprender.
Paín (p. 33, 1985) destaca que embora o fator ambiental incida mais sobre os problemas escolares do que sobre os problemas de aprendizagem propriamente ditos, esta variável pesa muito sobre a possibilidade do sujeito compensar ou descompensar o quadro.
Dentro da escola existem, entre outros, quatro fatores que podem afetar a aprendizagem: o professor, a relação entre os alunos, os métodos de ensino e o ambiente escolar.
O autoritarismo e a inimizade geram antipatia por parte dos alunos. A antipatia em relação ao professor faz com que os alunos associem a matéria ao professor e reajam negativamente ambos.
A relação entre os alunos será influenciada pela relação que o professor estabelece com os alunos: um professor dominador e autoritário estimula os alunos a assumirem comportamentos de dominação e autoritarismo em relação a seus colegas. Para aprender, o aluno precisa de um ambiente de confiança, respeito e colaboração com os colegas.
Os métodos de ensino também podem prejudicar a aprendizagem. Se o professor for autoritário e dominador, não permitirá que os alunosse manifestem, participem, aprendam por si mesmos. Esse tipo de professor considera-se dono do saber e procurará transmitir esse saber aos alunos, que deverão permanecer passivos, receber o que o professor lhes dá e devolver na prova.
O ambiente escolar também exerce muita influência na aprendizagem, o tipo de sala de aula, a disposição das carteiras e a posição dos alunos, por exemplo, são aspectos importantes. Uma sala mal iluminada e sem ventilação, em que os alunos permanecem sempre sentados na mesma posição, cada um olhando as costas do que está na frente, certamente é um ambiente que pode favorecer a submissão, a passividade e a dependência, e não favorece o trabalho livre e criativo.
Outro aspecto a considerar, em relação ao ambiente escolar, refere-se ao material de trabalho colocado à disposição dos alunos.
É evidente que com salas abarrotadas de alunoso trabalho se torna mais difícil. O número de alunos deve possibilitar ao professor um atendimento individual, baseado num conhecimento de todos eles.
A administração da escola _ diretor e outros funcionários_ também pode influenciar de forma negativa ou positiva a aprendizagem. Se os alunos forem respeitados, valorizados e merecerem atenção por parte da administração, a influência será positiva. Se, ao contrário, predominar a prepotência, o descaso e o desrespeito, a influência será negativa.
De acordo com Paín (p.33, 1985) o problema de aprendizagem que se apresenta em cada caso, terá um significado diferente porque é diferente a norma contra a qual atenta e a expectativa que desqualifica.
Tanto os pais como os professores devem estar atentos quanto o processo de aprendizagem, tentando descobrir novas estratégias, novos recursos que levem a criança ao aprendizado.
Percebe-se que se os pais souberem do poder e da força dos seus contatos com seu filho, se forem orientados sobre a importância da estimulação precoce e das relações saudáveis em família, os distúrbios de aprendizagem poderão ser minimizados.
Considera-se fundamental importância para o desenvolvimento posterior dacriança e para sua aprendizagem escolar, os sentimentos que os pais nutrem por ela durante os anos anteriores à escola.
É sobretudo, à família, às suas características culturais ou situação econômica, que predominantemente se atribuià responsabilidade pela presença ou ausência das pré-condições de aprendizagem na criança.
No âmbito escolar, certas qualidades do professor, como paciência, dedicação, vontade de ajudar e atitude democrática, facilitam a aprendizagem. Ao contrário, o autoritarismo, a inimizade e o desinteresse podem levar o aluno a desinteressar-se e não aprender.
Além disso, métodos didáticos que possibilitam a livre participação do aluno, a discussão e a troca de idéias com os colegas e a elaboração pessoal do conhecimento das diversas matérias, contribuem de forma decisiva para a aprendizagem e desenvolvimento da personalidade dos educandos.
É importante que o professor e o futuro professor pense sobre sua grande responsabilidade, principalmente em relação aos alunos dos primeiros anos, sobre os quais,a influência do professor é maior.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PAÍN, Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.
PILETTI,Nelson. Psicologia Educacional. São Paulo: Ática,1999.
SMITH & STRICK. Dificuldades de Aprendizagem de A a Z . São Paulo: Artes Médicas, 2001.

Desenvolvendo a Coordenação Motor
De modo geral, o desempenho de movimentos locomotores fundamentais, como andar, correr, saltar entre outros, deveria ser suficientemente flexível de modo que pudessem ser alterados à medida que as necessidades do ambiente o exigissem, sem prejuízo do objetivo o ato. A criança deveria ser capaz de: (1) usar qualquer movimento, de certo repertório de movimentos, para alcançar o objetivo; (2)mudar de um tipo de movimento para outro, quando habituação assim exigisse; (3)ajustar cada movimento a pequenas alterações na estimulação ambiental (GALLAHUE & OZMUZ, 2001).
Com relação às habilidades motoras fundamentais, para Gallahue e Ozmuz (2001), a maioria das crianças possui um potencial de desenvolvimento que as conduz ao estágio maduro por volta da idade de 6 anos.
Os fatores de controle motor (equilíbrio e coordenação) são de particular importância no início da infância, quando a criança está obtendo controle de suas habilidades motoras fundamentais. Os fatores de produção de força tornam-se mais importantes depois que a criança obtém controle de seus movimentos fundamentais e passa para a fase motora especializada da infância posterior (GALLAHUE & OZMUZ, 2001).

Para a execução de habilidades motoras cíclicas, como o pular corda ou tarefas de coordenação bi manual com toques repetitivos (Ex. Tarefa de FITTS, 1954), a coordenação requer que a criança desempenhe movimentos específicos, em série, rápida e de modo preciso.Os ritmos motores são manifestações voluntárias, que podem ser vistas em diversas tarefas que envolvam coordenação uni manual, bimanual ou intermembros, como por exemplo na dança atividades de acompanhamento musical. A tarefa rítmica requer do executante uma representação interna do padrão temporal do evento percebido (PARKER, 1992).
A percepção espacial é um componente básico do desenvolvimento perceptivo motor e pode ser dividido em duas subcategorias: 1) conhecimento de quanto espaço o corpo ocupa e (2) a habilidade de projetar o corpo efetivamente no espaço externo. Enquanto isto, apercepção temporal relaciona-se à aquisição de uma estrutura temporal adequada, sendo despertada e refinada ao mesmo tempo em que se desenvolve o mundo espacial da criança. Apercepção temporal vincula-se intimamente interação coordenada de vários sistemas musculares a muitas modalidades sensoriais. Os termos “coordenação-manual” e “coordenação entre olhos e pés” refletem a inter-relação desses processos. Neste sentido, GALLAHUE e OZMUZ (2001) afirmam que um indivíduo com dimensão temporal bem definida é um indivíduo coordenado.

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A organização temporal relativa é a distribuição temporal dos vários elementos que compõem uma determinada habilidade de modo que ampliando ou diminuindo o tempo total de duração da execução da habilidade implica em ampliar ou diminuir proporcionalmente a duração de cada um dos componentes desta habilidade. A organização temporal relativa é identificada como sendo a estrutura profunda de uma habilidade, estrutura que permanece invariante diante dos ajustes e adaptações necessárias frente a mudanças no ambiente (SCHMIDT & WRISBERG,2004). A aquisição de habilidades motoras passa necessariamente pelo aprendizado daorganização temporal relativa da habilidade sendo aprendida.



Referências Bibliográficas

GALLAHUE, D.L.; OZMUZ, J. C. Compreendendo o Desenvolvimento Motor: bebês, crianças eadolescentes e adultos. São Paulo, Ed. Phorte, 2001
Robergs, R.; Roberts, S. Fisiologia do exercício para aptidão, desempenho e saúde. São Paulo: Editora Phorte,
2002.
MALINA, R.M.; BOUCHARD, C. Atividade física do atleta jovem: do crescimento à maturação. São Paulo: Roca, 2002.
SCHMIDT, R.A., WRISBERG, C.A. Motor Learning and Performance. A problem-based learningapproach. Human Kinetics, Champaign, 2004.

Um comentário:

  1. ola carlos muito bom seu post,visita meu blog entrewp.blogspot.com

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